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    Uso de Células Tronco para Doenças dos Olhos

    Uso de Células Tronco no Tratamento de Doenças Oculares

    Com o avanço da medicina conseguimos, hoje, tratar doenças que antes eram incuráveis. O uso de células tronco já faz parte das opções de tratamento, principalmente em casos doenças hematológicas como a leucemia. O transplante de medula óssea foi o primeiro transplante incorporado com sucesso na prática médica.

    Mas afinal, o que são células tronco? Não são células que nascem nas árvores assim como se falou em uma propaganda. Células tronco são células indiferenciadas capazes de se transformar em qualquer célula do nosso organismo. Ou seja, uma célula tronco pode se diferenciar em uma célula do cérebro ou do rim ou do olho. Então o que determina a transformação destas células? Este processo é controlado por diversos fatores como os hormônios e fatores de crescimento. As pesquisas atuais investigam estes processos para que seja possível direcionar o crescimento de células tronco para o tipo celular que se deseja.

    As células tronco podem se diferenciar em todas as células do nosso organismo.

    As células tronco podem se diferenciar em todas as células do nosso organismo.

    Hoje trabalhamos com células tronco embrionárias e adultas. Mas qual a diferença? As células tronco embrionárias podem ser isoladas de embriões que foram congelados para fertilização. Este tipo celular apresenta maior capacidade de se diferenciar em outros tecidos. Porém existe grande debate ético em relação ao uso de embriões congelados para estudos e tratamentos. Já as células tronco adultas são isoladas dos organismos adultos. O seu potencial de diferenciação é limite por se tratar de uma célula pré diferenciada. Recentemente um professor de biologia celular do Japão, Prof Yamanaka, ganhou prêmio Nobel após comprovar a possibilidade de transformar uma célula adulta em célula tronco através de tratamento com engenharia gênica. Este tipo de célula é conhecido como célula pluripotente induzida e com certeza será muito utilizada no tratamento de doenças oculares.

    E as células tronco são usadas para tratar doenças dos olhos? SIM! O olho funciona como uma câmera fotográfica e pode ser dividido em 2 partes. A parte anterior funciona como as lentes da câmera – são a córnea e o cristalino. Já a parte posterior funciona como o filme da câmera – a retina.

    A córnea pode ser danificada em casos de queimaduras químicas (quando um ácido ou base caem no olho) ou em casos de trauma. Nestas situações a córnea que normalmente é transparente fica opaca. Assim, torna-se necessário o transplante de córnea associado ao transplante de células tronco da córnea para recuperação da visão. Atualmente, conseguimos isolar as células tronco da córnea do olho sadio e transplantar para o olho com problema e desta maneira recuperar a visão. Se os dois olhos forem acometidos, células do banco de células podem ser usadas. As células tronco são transplantadas juntamente com a córnea de um doador e diminuem a chance de rejeição e falha do transplante.

    Já na parte posterior do olho (retina e nervo óptico) buscamos tratamento com células tronco para doenças degenerativas, como por exemplo a degeneração macular relacionada `a idade (DMRI) e glaucoma, e também a retinopatia diabética. Estudo realizado na cidade de São Paulo mostrou que as doenças da retina (DMRI e retinopatia diabética) são a principal causa de cegueira, assim como ocorre em países desenvolvidos. Isto deve – se ao aumento da expectativa de vida da população mundial que leva ao aumento da incidência de doenças degenerativas. Existem diversos trabalhos de transplante de células tronco de retina em animais cegos que mostram o sucesso na recuperação visual de modelos experimentais desta doença. As células tronco embrionárias são diferenciadas em células progenitoras da retina no laboratório e posteriormente são injetadas abaixo da retina, local que normalmente estão situadas. Após 1 semana existe a integração das células transplantadas com as células da retina doença e desta maneira ocorre recuperação de parte da visão. Obtivemos sucesso em experimentos com camundongos inicialmente e depois em porcos.

    Fotoreceptor formado a partir de célula tronco transplantada.

    Fotoreceptor formado a partir de célula tronco transplantada.

    No entanto, ainda não usamos na prática clínica células tronco para tratamento de DMRI. Em breve iniciaremos estudo com humanos na Universidade Federal de São Paulo. Células tronco de banco de células serão diferenciadas em células retinianas em laboratório. Em seguida serão transplantada para a retina danificada para recuperar a arquitetura retina. Na primeira etapa da pesquisa iremos avaliar a segurança do transplante de células tronco, já que é um tratamento inédito. Por este motivo selecionamos pacientes com baixa de visão importante. Estamos estudando esta técnica há alguns anos, juntamente com a Universidade de Harvard e da Califórnia. Portanto, temos boas expectativas de que este procedimento tenha sucesso na recuperação da visão de pacientes que atualmente podem ser considerados cegos.

    Muitos pacientes perguntam sobre o congelamento do cordão umbilical para isolamento de células tronco. Sabe-se que existem células tronco no cordão umbilical mas ainda não existem aplicações para este tipo celular. Como foi mencionado no começo deste artigo existem células pluripotentes induzidas que poderão ser retiradas da própria pessoa e posteriormente usadas no tratamento. Portanto, minha resposta ao meus pacientes é que eu não vejo razão para congelar o cordão.

    Vision

    Vision

    Atualmente, as células tronco são utilizadas de forma rotineira para tratamento de algumas doenças. Em relação ao tratamento de doenças oculares pesquisamos bastante a utilização de diversos tipos de células e tenho certeza de que conseguiremos recuperar a visão de pacientes com doenças degenerativas e, também, evitar que estes pacientes fiquem cegos.

     

    Fonte

    Prof. Dr Caio Regatieri

    Diretor Médico da UPO Oftalmologia

    Doutorado em Oftalmologia – Universidade Federal de São Paulo

    Pós Doutorado em Oftalmologia – Harvard Medical School

    Professor da Pós Graduação do Departamento de Oftalmologia – Universidade Federal de São Paulo

    Professor Assistente do Departamento de Oftalmologia – Tufts Medical School

    Presidente do Centro de Estudo Moacyr Álvaro

    Vice – Presidente da Sociedade Brasileira de Laser e Cirurgia Oftalmológica

    The following two tabs change content below.
    Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, especialização em retina no departamento de oftalmologia pela UNIFESP e doutorado em programa duplo Biologia Molecular/Oftalmologia pela UNIFESP. Pós doutorado em Oftalmologia pela Harvard Medical School (Schepens Eye Reasearch Institute) e pela Tufts Medical School. Professor do Departamento de Oftalmologia da Tufts Medical School, Chefe do ambulatório de retinopatia diabética da UNIFESP e Diretor Executivo da UPO Oftalmologia. É presidente da BLOSS (Brazilian Laser Ophthalmology Surgical Society) e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências.
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  • Publicado porandersonem 27/08/2014, 11:41

    ola dr tenho 29 anos sofro de membrana neurovascular sub retiniana cicatrizada em ambos olhos fiz tratamento com macugem mesmo assin creçeu muinto nao tenho a visao central e ainda tenho uma gelatina presa na retina que impata ainda mais a minha visao deralhe tenho 18 graus de miopia gostaria de saber se existe algum tratamento para tidar a cicatriz e a gelatina com celulas tronco ou se vai ter algum dia obrigado pela atençao

    Resposta →
    • Publicado porMichael zucoloto em 07/02/2016, 03:14
      em resposta paraanderson

      Bom dia Dr.
      Minha irmã tem 15 anos e tem 22 graus em cada vista. Ela foi diagnosticada com retinopatia congenita no HC (hospital das clínicas de São Paulo). Estamos muito tristes pois os médicos disseram que não tem cura. Há não ser por tratamento com células tronco. Queria muito saber se há tratamento. Pois faria de tudoooooo para ela ter a visão dela de volta.
      Desde já agradeço.

      Resposta →
      • Olá Michael
        Muito obrigado pela mensagem!
        A alta miopia causa hemorragia na retina que consequentemente causa danos na retina. Estamos estudando a remoção de cicatrizes da retina e implante de células fotoreceptores na tentativa de reestabelecer a visão. Os estudos com animais são promissores mas ainda não existem trabalhos em humanos.
        Manterei informado
        Abraço
        Caio

        Resposta →
    • Publicado porAna Luíza Dinizem 10/02/2017, 14:50
      em resposta paraanderson

      Professor Dr. Caio, boa tarde!
      Minha mãe tem 55 anos e foi diagnosticada com neuropatia óptica glaucomatosa em AO e a última curva diária simplificada OD 11 – 10 e OE 10 -10. Está em tratamento desde 2011 e vem fazendo o uso de colírios mas a doença continua em progressão. O médico afirmou que o glaucoma dela é muito difícil de tratar por se tratar de glaucoma de pressão normal. Em dezembro do ano passado o médico informou que ela está apenas com 20% do nervo ótico e com previsão de perda total da visão do OD num período de 4 a 5 anos. Portanto, informou que ela necessita de cirurgia sem previsão de sucesso. Pergunto se ela terá alguma chance de recuperar a visão caso ocorra a cegueira com o tratamento com células-tronco. Agradeço, desde já, a atenção.

      Resposta →
  • Publicado porjose anderson leite de santanaem 27/08/2014, 11:28

    ola DR tenho 29 anos desde 2006 sofro de uma doença degeneratina chamada de menbrana neurovascular sub retiniana devido a alta miopia q chega a uns 18 graus em um olho quando eu tive nao tinha tratamento em 2006 tive no outro eu fis tratamento com macugem 4 aplicações mais mesmo assim ela creçeu muinto hoje se encontra cicatrizada nos ambos os olhos gostaria de saber se ja existe algum tratamento para curar a cicatriz com celulas tronco fazer com q eu volte ter a visao central q eu perdi ou se existe algunha outra auternativa tbm tenho uma gelatina grudada na retina q tambem atrapalha a visao tem com tirar isso obrigado pela atencao

    Resposta →
    • Olá José Anderson

      Obrigado pelo comentário.
      Neste momento realizamos estudos experimentais para remover cicatrizes e implantar células tronco com o objetivo regenerar a retina e devolver parcialmente a visão central. No entanto, ainda não estamos realizando estudos em humanos.
      Tenho certeza de que conseguiremos fazer este tipo de tratamento.

      Atenciosamente

      Caio Regatieri

      Resposta →
    • Publicado porRicardoem 16/10/2015, 21:36
      em resposta parajose anderson leite de santana

      Boa noite, gostaria de saber se a como corrigir uma cirurgia mal conduzida de catarata no hospital penido burnier onde houve edema de terco superior da cornea mediante a rutura de capsula e perda de celuras o qual se tinha 50 de visao e ficou com 0.2 corrigida.

      Resposta →
    • Publicado porRicardoem 16/10/2015, 21:36
      em resposta parajose anderson leite de santana

      Boa noite, gostaria de saber se a como corrigir uma cirurgia mal conduzida de catarata no hospital penido burnier onde houve edema de terco superior da cornea mediante a rutura de capsula e perda de celuras o qual se tinha 50 de visao e ficou com 0.2 corrigida.

      Resposta →
  • Publicado porPlinioem 14/08/2014, 17:15

    Olá Dr.
    Parabéns pelo blog.
    Meu irmão tem retinopatia diabética, já é transplantado
    de rins e pâncreas, mas na retina dele foi utilizado
    muito laser há alguns anos.Existe alguma novidade de
    tratamento com celulas tronco para regenerar a retina ?
    Obrigado pela atenção

    Resposta →
    • Publicado porProf. Dr. Caio Regatieriem 15/08/2014, 11:09
      em resposta paraPlinio

      Plinio

      Obrigado pela mensagem.
      Existem vários estudos experimentais que mostram sucesso na recuperação de pacientes com retinopatia diabética. No entanto, ainda não progredimos para estudos em humanos. O mais importante agora, é ele manter a diabetes controlada.
      Qual a idade dele?

      Resposta →
      • Publicado porCarolina Bansi de Oliveira Tornichem 05/02/2017, 11:37
        em resposta paraProf. Dr. Caio Regatieri

        Boa tarde, meu filho tem 1 ano e descobrimos uma cicatriz macular devido a toxoplasmose, gostaria muito de uma solução para isso. Acha que os estudos em humanos pode vir ? Mamãe muito ansiosa..
        Att
        Carolina Bansi

        Resposta →
  • Publicado porCésarem 30/07/2014, 23:01

    Dr, será possível também curar retinopatia causada pelo sol? Queimei minha mácula olhando para o sol, embora coisa mínima me incomoda bastante. Poderá esse tratamento reverter uma cicatriz macular?

    Obrigado.

    Resposta →
  • Publicado porPatrícia Bouvierem 07/07/2014, 23:23

    Eu gostaria de saber mais informações para a possível participação da minha avó para o tratamento em questão.

    Ela foi diagnosticada com DMRI, e li a pouco sobre o estudo de
    Dr. Bruce Ksander, Dr. Paraskevi Kolovou, Dr. Markus Frank e Dra. Natasha Frank
    com o uso de ABCB5

    Resposta →
    • Patrícia

      A DMRI causa um dano na camada de fotorreceptores da retina o que leva a baixa de visão. Estamos pesquisando a reposição destas células com o objetivo de restabelecer a visão.
      No estudo que vc citou publicado recentemente em uma das revistas mais importantes da medicina (NATURE) foi avaliado apenas 1 gene que pode causar degenerações oculares. A terapia gênica no tratamento da DMRI é uma possibilidade.
      Na Escola Paulista de Medicina iniciareamos em breve uma pesquisa com células tronco em humanos, mas ainda na fase experimental.

      Qual tipo de DMRI da sua avó?
      Qualquer dúvida estamos à disposição.

      Resposta →
    • Publicado porEmilia Goularteem 14/10/2015, 23:58
      em resposta paraPatrícia Bouvier

      Boa noite, gostaria de saber se as pesquisas continuam, pois tenho um primo de 16 anos que nasceu cego, mas os seus olhos são perfeitos, o problema é a ligação entre o cérebro e o olho, os médicos da cidade, dizem que não adianta cirurgia, somente o tratamento com células tronco poderia corrigir o problema com o guilherme.
      att
      Emilia

      Resposta →
      • Publicado porValdecir em 03/01/2016, 22:08
        em resposta paraEmilia Goularte

        Boa noite minha esposa tem retinopatia diabética ela tem 46 anos a três anos atrás praticamente perdeu toda visão gostaria de saber a alguma técnica para a cura ficarei muito grato pela respota

        Resposta →
        • Publicado porProf. Dr. Caio Regatieriem 28/02/2016, 21:25
          em resposta paraValdecir

          Olá Valdecir
          Muito obrigado pela mensagem.
          Os casos de retinopatia diabética são bastante complicados. Existem estudos sobre o uso de células tronco em pacientes com diabetes. No entanto, cada caso deve ser avaliado individualmente para investigar o dano na retina.
          Abraço
          Caio

          Resposta →
    • Publicado porEmilia Goularteem 14/10/2015, 23:58
      em resposta paraPatrícia Bouvier

      Boa noite, gostaria de saber se as pesquisas continuam, pois tenho um primo de 16 anos que nasceu cego, mas os seus olhos são perfeitos, o problema é a ligação entre o cérebro e o olho, os médicos da cidade, dizem que não adianta cirurgia, somente o tratamento com células tronco poderia corrigir o problema com o guilherme.
      att
      Emilia

      Resposta →
  • Publicado porpaulo gavarron luccasem 18/01/2016, 10:34
    em resposta paraLINDONEIA CRISTINA DE LIMA E SILVA

    tive uma trombose ocular : gbostaria de saber se posso recuperar a visao com celulas tronco . aguardo resposta.

    Resposta →
  • Publicado porFábio Brederem 15/02/2016, 16:44
    em resposta paraPriscilla Neissius

    Boa Tarde! Meu filho está com 11 anos e quando tinha 10 teve uma neurite óptica bilateral ocasionando diminuição de sua visão. É possível reverter esse quadro? É possível ele recuperar sua visão com o uso de células tronco?

    Resposta →
  • Publicado porGLEICIANA PEREIRA GONTIJOem 22/02/2016, 17:05
    em resposta paraFábio Breder

    BOA TARDE!
    GOSTARIA DE SABER COMO ESTÃO OS ESTUDOS PARA TRATAMENTO NERVO OPTICO REFERENTE A PERDA DA VISÃO DEVIDO A DOENÇA DE DEVIC.
    QUERO DIZER TBM QUE SE PRECISAR DE ALGUÉM PARA FAZER ALGUMA EXPERIÊNCIA ESTOU A DISPOSIÇÃO; POIS MEU SONHO É RECUPERAR A VISTA DIREITA A QUAL NÃO ENXERGO NADA.
    DESDE JÁ AGRADEÇO E AGUARDO ANSIOSA PELA RESPOSTA.

    Resposta →
  • Olá Fabio
    Obrigado pela mensagem.
    O uso de células tronco poderá ser usada em todos os casos em que exista lesão da retina e nervo óptico. Ele é bastante jovem e tenho certeza de que seremos capazes de lhe oferecer um tratamento.
    Estou à disposição
    Abraço
    Caio

    Resposta →
  • Gleiciana

    Muito obrigado pela mensagem.
    Seu caso é um pouco mais complicado já que houve lesão completa do nervo óptico. Hoje existem várias pesquisas para tratamento do nervo óptico em casos de glaucoma mas ainda não existe para casos de Doença de Devic. Porém creio que será possível aplicar as céluals no seu caso.
    Estamos estudando bastante, mas ainda não existe em nenhum lugar do mundo um tratamento adequado em humanos. Vc é jovem e tenho certeza de que seremos capazes de lhe oferecer um tratamento.
    Estou à disposição
    Abraço
    Caio

    Resposta →
  • Olá Paulo
    Muito obrigado pela mensagem.
    Os casos de trombose são bastante complicados. Existem estudos sobre o uso de células tronco em pacientes com diabetes. No entanto, cada caso deve ser avaliado individualmente para investigar o dano na retina.
    Abraço
    Caio

    Resposta →

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Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, especialização em retina no departamento de oftalmologia pela UNIFESP e doutorado em programa duplo Biologia Molecular/Oftalmologia pela UNIFESP. Pós doutorado em Oftalmologia pela Harvard Medical School (Schepens Eye Reasearch Institute) e pela Tufts Medical School. Professor do Departamento de Oftalmologia da Tufts Medical School, Chefe do ambulatório de retinopatia diabética da UNIFESP e Diretor Executivo da UPO Oftalmologia. É presidente da BLOSS (Brazilian Laser Ophthalmology Surgical Society) e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências.